São Paulo, anos 80: A história do Justiceiro Chico Pé de Pato | Diário do Brasil

São Paulo, anos 80: A história do Justiceiro Chico Pé de Pato

Chico Pé de Pato (Centro) ao lado de Socorro (Esposa) conversa com amigos. Foto: Mario Leite – Setembro/1985


A história do Justiceiro Chico Pé de Pato

Francisco Vital da Silva nasceu no sertão da Bahia e, como muitos nordestinos, migrou para São Paulo em busca de melhores condições de vida.

Junto com sua família, passou a viver em Itaim Paulista, na violenta zona leste de São Paulo.

Trabalhando de pedreiro, Vital montou um bar, o estabelecimento era constantemente assaltado e vandalizado por criminosos. 

Cansado das extorsões, Chico passou a revidar os abusos e colocar pessoas indesejáveis para fora de seu comércio.

Sempre munido de uma faca para a autoproteção, acabou por despertar a raiva de muitos sujeitos perigosos:

“Nem bem abri o boteco, senti que a barra aqui era pesada. Os vagabundos bebiam fiado, não pagavam e, ainda por cima, queriam que eu guardasse maconha pra eles. Aí estourei e comecei a pôr nego pra fora a pontapés”, declarou em entrevista ao jornal Notícias Populares.

Um certo dia, invadiram sua casa e abusaram de sua esposa e sua filha de 16 anos.

Chico, revoltado com a impunidade dos criminosos, comprou algumas armas e foi atrás de vingança, apagou os sujeitos e deixou um recado bem claro: se a polícia não age, eu entro em ação.

Assim, Francisco Vital da Silva, um comerciante vindo da Bahia, passou a ser Chico Pé de Pato, um justiceiro que caçava foras da lei na região leste da Grande São Paulo.

A fama de Chico cresceu consideravelmente, recebia da própria força policial nomes de bandidos procurados pela justiça, os executava e passou a ser visto pela população como um grande herói, um justiceiro que substituiu a péssima justiça que o Estado sempre proporcionou às classes mais pobres.

Em meados dos anos 80, a ordem da polícia era matar criminosos nas áreas periféricas da cidade, Chico fazia boa parte do trabalho, era, inclusive, acionado pela população mais do que o próprio batalhão da ROTA.


Observado pelo radialista Afanásio Jazadji, o justiceiro Chico Pé de Pato se esconde no porta-malas de um Opala para seguir do Jardim Camargo Novo (zona leste) até a rádio Capital, nos Jardins, na (zona sul de SP) Crédito: José Luis da Conceição – 26.ago.1985/Folhapress


A fama de Pé de Pato cresceu tanto, que o famoso jornal Notícias Populares fez uma série de reportagens para falar sobre suas empreitadas contra criminosos, o que despertou a admiração de pessoas de todas as partes do estado de São Paulo, além de ter amizade e aparecer nas histórias do radialista Afanasio Jazadji, uma espécie de Datena dos anos 80.

O destino de Chico mudaria após uma discussão em um bar, quando, ao sacar a arma para revidar uma agressão, matou um policial militar à paisana.

Ao saber que a vítima era policial, Pé de Pato já sabia que não teria muito tempo de vida, pois ele já conhecia a lei da rua, não se mata um policial e fica impune. Pouco depois do crime, Chico fugiu em seu Opala, e foi considerado procurado pela polícia militar.

A ROTA foi responsável pela caça ao justiceiro, que, ao entrar em contato com Afanásio Jazadji conseguiu se entregar no DEIC.



No dia de sua prisão, mais de 500 pessoas estavam na porta da delegacia pedindo sua soltura, um abaixo-assinado foi feito, mas não adiantou, Chico foi julgado e condenado a 6 anos de prisão, tempo consideravelmente baixo pela quantidade de homicídios que protagonizou.

A pena baixa, provavelmente, foi fruto da pressão das 2 mil pessoas que se encontravam na porta do Fórum no dia do julgamento.

Pé de Pato foi transferido para uma penitenciária onde, por ser desafeto de muitos criminosos e policiais, foi morto com 91 estiletadas.

A força policial tinha medo que Pé de Pato abrisse a boca sobre os justiçamentos que cometeu fazendo ‘favores’ para homens da polícia e os bandidos tinham uma questão de honra para acertar com ele […] por isso, ele não durou muito tempo dentro do sistema carcerário.

(fonte: Redes sociais / texto de Joel Paviotti)



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