Pesquisadores do Senegal criam teste de coronavírus que custa US$ 1 e resultado sai em 10 minutos

Guilherme Santiago | 18/03/2020 | 1:24 AM | INTERNACIONAL
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(DAKAR, Senegal, via Washington Post)

Na corrida para inventar um teste mais rápido para o coronavírus, um laboratório da África Ocidental – que fez uma das primeiras vacinas contra a febre amarela do mundo – se uniu ao criador britânico da tecnologia do teste de gravidez através do xixi no palito.

Pesquisadores do Instituto Pasteur, litoral do Senegal – um parceiro da OMS que luta contra surtos virais há mais de um século – dizem que estão a menos de três meses do lançamento de kit de diagnóstico de coronavírus por US$ 1 que poderá detectar o contágio respiratório em apenas 10 minutos.

“As pessoas poderão fazer isso sozinhas”, disse Amadou Sall, diretor do instituto na capital, Dakar.

Mais de 200 empresas estão trabalhando para desenvolver testes igualmente rápidos, de acordo com a Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores, em Genebra, que acompanha o progresso.

Até o momento, nenhum deles conseguiu atender o padrão internacional de prazo de validade e precisão.

Hoje, o processo leva horas em laboratórios sofisticados e os tempos de espera estão se estendendo por todo o mundo, alarmando as autoridades de saúde.

“Não vimos uma escalada suficiente em testes de urgência, isolamento e rastreamento de contatos, que é a espinha dorsal da resposta”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na semana passada.

“Temos uma mensagem simples para todos os países: teste, teste, teste”.

A parceria entre o Instituto Pasteur e a Mologic – empresa inglesa fundada pelo pai do teste de gravidez ClearBlue – começaram cerca de um ano atrás.

Os pesquisadores inicialmente se concentraram em fazer testes caseiros para a dengue, entre outros surtos, quando o número de diagnósticos de coronavírus começou a aumentar.

A equipe senegalesa que ajudou a OMS na epidemia de Ebola na região de 2014 a 2016, foi um dos 2 primeiros laboratórios do continente a identificar o coronavírus, colhendo amostras de outros países. (43 das 54 nações da África agora têm ferramentas de diagnóstico.)

A prioridade daqueles primeiros dias: pegar e resolver, disse Sall, o diretor, porque um surto do Covid-19 poderia devastar dezenas de países sem dinheiro.

Os virologistas sabiam, porém, que ter apenas alguns laboratórios por país não era suficiente para proteger as comunidades rurais, onde a eletricidade é freqüentemente escassa.

Eles precisavam de algo que pudesse funcionar sem energia … foi aí que pensaram no teste de gravidez.

Ele já é usado em kits de malária e HIV em todo o mundo: os pacientes jogam sangue ou saliva nos dispositivos e esperam aparecer uma linha em negrito.

Entre as instalações de fabricação em Dakar e no Reino Unido, a equipe espera produzir 8 milhões de testes anualmente, disse Joe Fitchett, diretor médico da Mologic, e vendê-los por US $ 1 (cada unidade) para governos e órgãos globais de combate a doenças.

“A idéia”, disse ele, “é torná-la disponível o mais amplamente possível”.

Eles poderão vender os dispositivos a um custo mínimo, acrescentou Fitchett, porque são apoiados por doações pesadas do governo britânico e da Fundação Bill Gates.

O coronavírus já infectou mais de 195.000 pessoas em pelo menos 140 países desde que surgiu no final do ano passado na China, colocando milhões em confinamentos e causando estragos na economia global.

Os líderes africanos estão lutando para conter a disseminação, mas o número de casos confirmados no continente aumentou nas últimas semanas .

O Senegal tem 136 leitos em duas cidades para pessoas com coronavírus, dizem as autoridades de saúde, e está correndo para adicionar hospitais militares de campo. (Na terça-feira, o país havia confirmado 31 casos.)


 

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