Não ouse contrariar os “fuhrers”

Amanda Nunes Brückner | 19/04/2020 | 1:25 PM | MÍDIA
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Durante o regime nazista, a própria população denunciava seus vizinhos à Gestapo [polícia secreta do Estado].

Não era uma traição com àqueles que, por tantos anos, viveram na porta ao lado.

Era uma forma de “orgulhosamente” ajudar o país.

Afinal, judeus, gays, reacionários ou subversivos eram “pragas” que infectavam o país.

A própria polícia secreta também se infiltrava nas fábricas e comércios para conhecer àqueles que ameaçavam insuflar qualquer revolta; que não se curvavam ao Führer.

Hoje, vemos cidadãos orgulhosos denunciando o vizinho que está fazendo um churrasco com a família; que está abrindo o seu comércio, mesmo que sem funcionários.

Assisti, há pouco, jornalistas andando pela São Paulo vazia, denunciando àqueles que já se cansaram da histeria dos governadores.

Qualquer grupo é chamado de “aglomeração” e, de pronto, tratado como um risco à ordem pública.

Enquanto isso, com todos trancados em suas casas, Dória gasta 1 milhão de reais para patrocinar lives de artistas milionários; Witzel assina um decreto estendendo o estado de calamidade até SETEMBRO, com veto no artigo que criava um comitê para fiscalizar os gastos no “combate à pandemia” (tudo sem licitação).

Guiados pelo pânico, estamos fechando os olhos para todos os absurdos cometidos ou, pior, estamos COLABORANDO para o cerceamento das nossas liberdades.

Hoje o “inimigo” é o vizinho.

E amanhã, quando os “inimigos” formos nós mesmos?

“Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.”
(BURKE, Edmund)


(texto de Felipe Fiamenghi)


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