Fatos reais sobre 1964 que o seu professor de história ‘barbudo’ não te contou

Patrícia Moraes Carvalho | 31/03/2019 | 3:00 PM | DESTAQUES DB
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João Goulart foi um político gaúcho, presidente do Brasil de 1961 a 1964. Neste período, o mundo vivia o conturbado apogeu da Guerra Fria, e a ameaça do comunismo, sobretudo na América Latina, era iminente, especialmente levando-se em consideração o fato de que a revolução cubana acontecera alguns anos antes, alterando radicalmente o panorama político no continente.

João Goulart, por sua vez, dava claros sinais de ser um fervoroso simpatizante da ideologia comunista; ao menos, em termos relativos, embora isso nem sempre parecesse evidente.

Quando o presidente Jânio Quadros renunciou ao seu mandato presidencial — o que ocorreu em 25 de agosto de 1961 — Jango, como também era conhecido, ocupava pela segunda vez o cargo de vice-presidente da república, tendo exercido a função anteriormente, durante o mandato presidencial de Juscelino Kubitschek.

Não obstante, durante a renúncia de Jânio Quadros, João Goulart encontrava-se na China — que desde 1949 era uma ditadura comunista —, e os militares, que viam Goulart como uma ameaça, não pretendiam deixar ele assumir o poder.

Paschoal Ranieri Mazzilli governou por 13 dias, de 2/4/1964 até 15/4/1964.

Por isso, colocaram Ranieri Mazzilli no seu lugar, que ficou na presidência da república por treze dias. Depois da deposição de Jango, em 1º de abril de 1964, Mazzilli assumiria novamente a presidência da república, também por um período de treze dias.

A Campanha da legalidade, no entanto, auferida pelo político gaúcho Leonel Brizola, cunhado de Jango, arregimentou enorme pressão política sobre o governo, para conferir o cargo de presidente da república à João Goulart.

Quando Goulart voltou da China, esperou em Montevidéu uma resolução para a crise política. Por fim, os militares concordaram em dar um fim ao impasse, aceitando que Goulart assumisse a presidência, mas com a condição proposta de uma mudança de regime — para o parlamentarismo —, o que limitaria sobremaneira os poderes de Jango, já que ele se tornaria chefe de estado, mas não chefe de governo.

Goulart — uma verdadeira rapina — inicialmente concordou com as reformas políticas estabelecidas, e assumiu o mandato presidencial.

Mas, em 1962, junto com o Congresso, ele começou a articulação de um projeto que buscava reinstaurar o regime presidencialista, em uma aviltante e ensandecida manobra para acumular poder político, sendo catalisador de grande desconfiança por parte dos setores mais tradicionais e esclarecidos da sociedade brasileira, bem como dos militares, que evidentemente não viam de forma positiva a tentativa de Jango de centralizar e concentrar poder.

O governo de Jango, no entanto, fadado ao fracasso desde o princípio, não conquistou apoio ou simpatia popular, em forte medida pela crise econômica que o Brasil enfrentava, além das inseguranças geradas pelo Plano Trienal.

Medidas impopulares, como a reforma urbana, — que acompanhava, de certa maneira, a reforma agrária —, era vista como uma ameaça pela população, que temia expropriações em larga escala sancionadas pelo governo.

Não obstante, tudo indica que Jango pretendia implementar um regime totalitário de extrema-esquerda no Brasil, mas por vias institucionais, ao invés de deflagrar uma revolução violenta.


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Propondo inúmeras reformas radicais de maneira intempestiva, a sociedade brasileira ficou alarmada com a agressividade impositiva de Jango e sua falta de flexibilidade política, sendo completamente indiferente às consequências de suas propostas.

Jango parecia estar alinhado, e profundamente comprometido, com uma ideologia política, e não com as necessidades mais prementes da população, e o desenvolvimento do país.

As instabilidades institucionais e políticas, durante o governo de Jango, invariavelmente só cresceram, e na mesma proporção, sua impopularidade.

Sua incapacidade natural de reagir à crise, tranquilizar a população, e atender a demandas e pautas moderadas, passaram a deixar a população cada vez mais inquieta, ansiosa e aturdida.

A inquietação eventualmente se diluiu por todos os setores da sociedade brasiliera, tanto civil quanto militar.

Uma rebelião do contingente na Marinha, entre um efetivo que buscava mais autonomia e independência, abalou gravemente as estruturas da hierarquia militar, o que só agravou a crise e a desconfiança das forças armadas, para quem Jango não inspirava a mínima credibilidade.

A intransigência de Jango — e o atrito cada vez mais áspero e contundente entre as forças políticas divergentes que digladiavam-se de forma indômita entre a normalidade e a subversão — contribuiu para aumentar a resistência popular contra o que parecia ser, cada vez mais, um projeto gradualista de implantação do comunismo, sutilmente disfarçado de medidas reformistas.

Marcha da Família com Deus pela Liberdade

A situação piorou de forma exponencial quando um obstinado e autoritário João Goulart fez um discurso efusivo e impertinente para militares no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, no que pareceu ser um desafio, caso tentassem derrubá-lo, o que indefectivelmente contribui para um estopim inevitável, que vinha-se avolumando desde a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, uma série de passeatas populares que ocorridas entre 19 de março a 8 de junho de 1964, cuja pauta anticomunista, conclamando as forças armadas para intervirem em favor da normalidade e da estabilidade institucional, contribuiu para angariar apoio nacional à tomada de poder pelos militares.

Articulando a tomada do poder, o general Olímpio Mourão Filho, em 31 de março, depois de alertar o Marechal Castello Branco, deu a ordem para a 4ª Divisão de Infantaria do Exército Brasileiro, sediada em Juiz de Fora, se deslocar ao Rio de Janeiro, para depor Jango e a base governista.

Quando os militares tomaram o poder, entre 31 de março e 1º de abril, Jango, resignado com a sua deposição, retirou-se para o Rio Grande do Sul, onde mais tarde se uniria a ele Leonel Brizola, com a sugestão de insuflar uma rebelião popular para retomar o poder.

Jango rejeitou a ideia, temendo uma guerra civil e o grande custo de vidas que tal insurgência certamente cobraria.

Jango eventualmente exilou-se no Uruguai, onde ficaria até morrer, em 1976.


(reprodução blog oultraconservador / texto na íntegra)

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