Diclofenaco, uma bomba-relógio para o coração

20/01/2019

O diclofenaco (medicamento que possui ação analgésica e anti-inflamatória) está associado a um risco elevado de eventos cardiovasculares, como ataque cardíaco e AVC (acidente vascular cerebral), em comparação com o paracetamol e o uso de outros analgésicos tradicionais, de acordo com um estudo publicado pelo The BMJ , que é uma publicação periódica do Reino Unido e uma das mais influentes e conceituadas publicações sobre medicina no mundo.

Os resultados induziram os pesquisadores a constatar que o diclofenaco não deve ser consumido sem receita médica e, quando prescrito, deve ser acompanhado por uma etiqueta frontal apropriada que avise sobre seus riscos potenciais.

O diclofenaco é um anti-inflamatório não-esteroidal tradicional (AINE) para o tratamento da dor e inflamação e é amplamente utilizado em todo o mundo.

Até hoje, seus riscos cardiovasculares, comparados aos de outros medicamentos similares, nunca foram examinados em grandes ensaios clínicos.

Contudo, uma equipe de investigação liderada pelo Dr. Morten Schmidt, do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca, analisou os riscos cardiovasculares do início de um tratamento feito com diclofenaco.

Os resultados são baseados em dados de registros nacionais de mais de 6,3 milhões de adultos na Dinamarca com pelo menos um ano de registros, feitos com prescrição médica contínua.

Os participantes foram divididos em risco cardiovascular baixo, moderado e alto.

A média de idade foi de 46 a 49 anos entre os participantes que iniciaram com diclofenaco e um outro grupo de pacientes que iniciaram tratamento com paracetamol.

O aparecimento de diclofenaco durante o período de estudo (1996-2016) foi associada a uma taxa mais elevada de eventos cardiovasculares adversos em 30 dias, em comparação com outros AINEs (fármacos anti-inflamatórios não esteroidais) tradicionais (ibuprofeno ou naproxeno ou paracetamol).

Os eventos incluíram batimento cardíaco irregular ou agitação, acidente vascular cerebral isquêmico, insuficiência cardíaca e ataque cardíaco. 

Os riscos aumentados aplicam-se a homens e mulheres de todas as idades e também a baixas doses de diclofenaco.

Aposte primeiro em medicamentos tradicionais

O diclofenaco foi associado com um aumento na taxa de morte cardíaca em comparação com outros AINEs  (ibuprofeno ou naproxeno ou paracetamol) e aumento do risco de hemorragia gastrintestinal superior em comparação com os AINEs, o ibuprofeno ou o paracetamol, mas não com o naproxeno.

“O tratamento da dor e inflamação com AINE ( anti-inflamatórios não esteroidais)  pode valer a pena para alguns pacientes melhorar a qualidade de vida, apesar dos possíveis efeitos colaterais”. Considerando os seus riscos cardiovasculares e gastrointestinais, no entanto, há pouca justificativa para iniciar o tratamento com diclofenaco antes de outros AINEs tradicionais (ibuprofeno, naproxeno ou paracetamol) ”.

Os especialistas comentaram que com referência aos resultados expostos, isso não deve ser vendido livremente em qualquer país, nem ser consumido de forma abusiva sem antes consultar um médico para determinar se é necessário usá-lo.


 

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