Como esses caras entraram em nossas casas e conquistaram nossos filhos?

Amanda Nunes Brückner | 20/05/2020 | 6:30 AM | MÍDIA
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Vi muitas pessoas criticando a participação do Felipe Neto no Roda Viva.

Fui, então, assistir à entrevista.

Copiando o Youtuber, que fez um “mea culpa” de suas posições políticas e aproveitou para criticar o impeachment da Dilma, vou fazer o meu próprio “mea culpa”.

Nós erramos! Nós não nos importamos, não nos posicionamos, não tomamos espaços.

Se um cara como o Felipe Neto chegou ao centro do Roda Viva, a culpa é nossa, que fomos omissos por décadas.

O fato de ele, hoje, ser um dos principais influenciadores das novas gerações, com dezenas de milhões de inscritos no Youtube, diz muito sobre o Brasil.

É a consequência de uma série de erros, que começaram desde antes de ele nascer.

Em 1985, Figueiredo entregou o governo para os civis, sem nem se dar conta de que os militares tinham perdido a guerra.

Durante 21 anos, combateram armas, não ideias. Ao saírem do poder, deixaram as trincheiras ideológicas completamente ocupadas pela esquerda.

Os “inimigos” tinham tomado o território que lhes interessava, debaixo dos narizes dos generais.

Os vencedores escrevem a história.

Neste caso, sendo voz uníssona nos meios de comunicação e no ambiente acadêmico, escreveram e reescreveram cada pagina.

O trabalho foi tão bem feito que os militares acabaram no banco dos réus da “comissão da verdade”, enquanto terroristas e guerrilheiros ocuparam cadeiras no Congresso Nacional, nos Ministérios e até na Presidência da República.

Foi uma idiotização de massas tão absurda que, hoje, Felipe Neto diz estar preocupado com a ameaça que Bolsonaro, um presidente SOZINHO, isolado pelo Legislativo e pelo Judiciário, representa à democracia.

Mas ninguém enxergou problema em um projeto de poder que aparelhou todo o Estado, comprou deputados (Mensalão e Petrolão) e indicou 8 de 11 Ministros do Supremo (Teori Zavascki ainda era vivo no fim do mandato de Dilma).

Os “grandes defensores da Democracia” não conseguiram identificar um golpe de Estado que estava sentado em suas cabeças.

Enquanto tudo isso acontecia, estávamos procurando heróis.

Em vez de tomarmos a frente e lutarmos pela ocupação dos espaços, continuamos esperando que um novo salvador, montado em um tanque reluzente, viesse consertar a situação.

Não nos preocupamos. Definimos, aliás, que “política não se discute”; ainda que a política defina cada aspecto das nossas vidas.

E muito se engana quem acha que só as novas gerações estão sob as “más influências” de Felipe Neto e companhia.

Como, afinal, esses caras entraram em nossas casas e conquistaram a atenção de nossos filhos?

Quanto falhamos, como pais, ao permitirmos que isso acontecesse?

Será que, há duas gerações, quando o núcleo familiar ainda não estava contaminado pelas ideias progressistas, isso aconteceria?

Também fomos influenciados.

Também permitimos que os “influenciadores” da nossa época moldassem nossas condutas.

Enquanto esperávamos os nossos heróis, sonhávamos com a vida dos globais e nos tornávamos uma geração de medíocres acomodados, que não inspiram ninguém, nossos filhos encontraram seus próprios “heróis” na internet.

“Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos.”
(RODRIGUES, Nelson)


(texto de Felipe Fiamenghi)

 

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