Battisti dizia que ‘estava protegido pelo STF’ e Bolsonaro nada poderia fazer

13/01/2019

Há cerca de 2 meses, Battisti chegou a debochar do presidente Jair Bolsonaro ao declarar a seguinte frase:

“Bolsonaro pode dizer o que quiser. Estou protegido pelo Supremo Tribunal. O que ele diz são só palavras, fanfarrices. Ele não pode fazer nada. Existe a Justiça e estou protegido pela Justiça. Ele não tem nada a ver com isso”, disse o terrorista, em uma entrevista à “Radio Rai”, da Itália.

No dia 16 de outubro, através do seu perfil oficial no Twitter, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) declarou que, caso vencesse as eleições, mandaria o terrorista Cesare Battisti de volta para a Itália:

“Reafirmo aqui meu compromisso de extraditar o terrorista armado pela esquerda brasileira em caso de vitória nas eleições. Mostraremos ao mundo nosso total repúdio e empenho no combate ao terrorismo. O Brasil merece respeito”


O caso de Cesare Battisti é a estranha história de um assassino condenado pela justiça, mas salvo pela política

A justiça italiana impôs a Battisti pena de prisão perpétua por quatro assassinatos […] uma sentença nunca executada porque o ex-terrorista ‘vermelho’ fugiu para o Brasil, onde, em 31 de dezembro de 2010, o presidente Lula (líder carismático da esquerda) vetou sua extradição, como último ato de seu mandato.

Os processos documentam que ele traficava armas e suas vítimas foram mortas por atos vingança.

Caesar Battisti foi preso com outros cúmplices em Milão, em junho de 1979, em uma casa onde ele escondia um arsenal: armas, rifles, revólveres, metralhadoras, etc…

Eram as armas dos “proletários armados comunistas”, dizia o grupo do bandido.

Em outubro de 1981, enquanto cumpria a primeira sentença de assalto à mão armada, Battisti escapou da prisão de Frosinone e fugiu para a França, onde se tornou um líder bem sucedido e defendido por ilustres intelectuais de esquerda.

Em 1987 fugiu para o México e foi novamente julgado na Itália, à revelia, por estar foragido.

Foi considerado culpado pela autoria direta ou indireta dos assassinatos de Antonio Santoro, Lino Sabbadin, Andrea Campagna e Pierluigi Torregiani e condenado à prisão perpétua.

De acordo com a justiça italiana, foi dado a Battisti amplo direito de defesa e a sentença foi baseada no testemunho de diversas pessoas.

Em 2009, já no Brasil, o ministro Tarso Genro concedeu-lhe asilo político e Lula parou o processo a extradição.

Há alguns meses, com o fim da era Lula no Brasil, a Itália emitiu um novo pedido de extradição para Battisti.

O pedido do governo italiano foi examinado pelo Ministério da Justiça, que deu sua opinião favorável à extradição, assim como o Ministério das Relações Exteriores.

Temer prometeu ‘devolver’ Battisti à Itália e declarou que “seria um gesto desejável e diplomaticamente muito importante”, porém a ação não se concretizou.



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