A médica que bombou nas redes sociais ao criticar Cabral: “Matou muita gente com sua caneta”


A reumatologista Francinne Machado Ribeiro não pensou que ficaria ‘famosa’ na internet ao escrever um post sobre Sérgio Cabral

Na rede social, a médica criticou a mãe do ex-governador, dona Magaly Cabral, que disse que seu filho “cometeu erros”, mas que “não é um bandido perigoso”.

Aos 51 anos, Francinne trabalha até 15 horas por dia, entre um hospital público e uma clínica particular.

 

Dra Francine Machafo Ribeiro, médica, servidora Estadual, lotada no HUPE/UERJ…. 

Abaixo o texto da médica em resposta à mãe do Cabral:

Dona Magaly Cabral,

Também sou mãe. E nas horas vagas sou médica. Trabalho em um hospital público. De uma universidade. Estadual. No Rio de Janeiro.

Como tal, assisti, impotente, a uma enxurrada de solicitações de medicações essenciais para a vida de milhares de pessoas ser negada por falta de compra. Vi, aterrorizada, centenas de leitos serem fechados no HUPE por falta de repasse de verba.

E tive, desesperada, que negar admissões e internações justamente por falta de leitos.

O que durante algum tempo parecia ocorrer pela crise financeira se mostrou uma farsa.

Descobri, perplexa, que o dinheiro de merenda escolar e remédio era desviado para que o governador do Estado e sua esposa advogada esbanjassem em iate, quadros, viagens com fotos cafonas, joias e privada automatizada.

E, não por acaso, este senhor era seu filho.

Desculpe a minha falta de empatia, mas discordo categoricamente da sua afirmação. Seu filho não “cometeu erros”. Ele fez algo mais grave. Ele cometeu crimes. C-r-i-m-e-S. No plural.

É fato que ele não deu ordens de matar, a partir da cadeia. Por um motivo muito simples: ele matou muita gente com sua caneta. Que lhe foi concedida para cuidar deste estado e não para se esbaldar em Paris com guardanapos na cabeça e Loubotin nos pés.

Abre parênteses para update:

Da cadeia ele não “mandou invadir”. No entanto, os lares dos cidadãos do estado foram invadidos com as imagens das mordomias concedidas ao seu filho. Enquanto milhares de presos semianalfabetos, negros e pobres apodrecem na cadeia superlotada, onde adquirem, entre outras coisas, tuberculose e sarna.

E de sua nora desfrutando do conforto do seu apartamento no Leblon, ao passo que outras milhares de mães presidiárias são afastadas dos seus filhos.
E não, não compartilho da máxima que as mães podem tudo.

Caso não tenha percebido, vou lhe contar um segredo: seu filho lhe deu presentes caros nos últimos anos? Saiba que eles custaram os rins, corações e fígados de pessoas doentes.

Fecha parênteses.

Humilhação é mendigar remédios e salários que lhe são devidos por direito. É ser achincalhado publicamente pelo seu patrão, como nós médicos fomos. É assistir inúmeros pacientes morrerem por falta de antibiótico e perderem seus transplantes por falta de imunossupressores.

Dona Magaly, me desculpe se não sinto compaixão e se acho que as algemas são um castigo leve demais.

Ao contrário da senhora, que tem acesso à coluna, sou mais uma médica tentando enxugar gelo todos os dias, além de tentar reconstruir, com muito trabalho, o hospital que seu filho quebrou.

Infelizmente, o meu lamento não desfaz a desgraça das inúmeras famílias que seu filho provocou. Isso sim faz sentido, minha senhora.


compartilhe esse post:
RSS
Follow by Email
Facebook
Google+
Twitter
WHATSAPP
publicidade


  • error: Conteúdo protegido !!