Pai que perdeu gêmeos de 9 meses, a esposa e 20 familiares em ataque químico na Síria, clama por mais ajuda dos EUA

Assim que Abdel Hameed al-Youssef recuperou a consciência (após o ataque químico promovido pelo governo da Síria) o pesadelo começou

Hameed perdeu seus filhos gêmeos de 9 meses de idade, a esposa Tallulah e outras 20 pessoas de sua família:

“Quando cheguei, perguntei por eles”, disse o agricultor à rede de TV ABC News na noite de ontem (09).

“Estavam todos mortos” continuou.

A manhã do dia 4 de abril começou como um dia qualquer para os moradores da cidade Khan Sheikhoun, província de Idlib, no noroeste da Síria.

Hameed e sua esposa acordaram com barulhos de um ataque aéreo a apenas 20 metros de sua casa.

“As crianças ficaram com medo. Somos bombardeados constantemente”, disse Hameed.

Com os gêmeos (Ahmad e Aya) agarrados em seu pescoço, o agricultor e a esposa saíram de casa para avaliar a situação.

Eles caminhavam pelo bairro quando outros dois ataques aéreos atingiram as proximidades:

“Haviam escombros para todos os lados, mas não houve sons de explosões” relatou.

E continuou narrando:

“Sentimos um cheiro estranho e vimos que as pessoas ao nosso redor começaram a entrar em colapso.”

“Foi então que percebi que algo estava fora do normal e entreguei os gêmeos para minha esposa. Pedi que ela corresse para bem longe” contou.

Tallulah então pegou os gêmeos e outras quatro crianças (filhos de vizinhos) e fugiram na esperança de encontrar um lugar seguro para se esconder.

Hamees começou a ajudar no resgate dos vizinhos.

Várias pessoas já haviam caído no chão e começavam a espumar pela boca.

“Coloquei minhas mãos sobre a boca e tentei cobrir o máximo que pude” contou.

Sentindo dificuldades para respirar, ele parou de socorrer as pessoas e correu para a casa de seus pais, a 100 metros de distância.

Assim que chegou, viu toda sua família (irmãos, cunhadas, sobrinhos e um primo) agonizando e espumando pela boca.

Em desespero, Hameed correu para a casa de outro parente e encontrou duas sobrinhas, já mortas:

“Eu tentei retirá-las de casa para fazê-las respirar […] não sabia que elas estavam sem vida.”

Enquanto carregava uma das crianças, ele começou a sentir tontura e dificuldades para respirar:

“Fiquei consciente por mais alguns segundos e depois desmaiei” disse.

Quando retomou a consciência, ele pensou na esposa e nos filhos e correu novamente pelo bairro, na esperança de encontrá-los a salvo.

As primeiras pessoas que ele encontrou na rua informaram que sua esposa, os gêmeos e as quatro crianças (filhos do vizinho) estavam em um abrigo, perto de sua casa.



Lá chegando, ele viu Tallulah […] ela estava no chão ao lado das crianças e não conseguia andar devido a ação do gás tóxico.

Os gêmeos já estavam espumando pela boca. Hameed os pegou, limpou seus rostos e os abraçou.

Ele relata que conversou com as crianças:

“Oi queridos, eu demorei um pouco […] ajudei a resgatar outras pessoas e não pude resgatar vocês’“, contou Hameed à ABC News, em lágrimas.

“Eu esperava que eles me abraçassem de volta.” disse o pai.

Imagens chocantes deste pai angustiado embalando os corpos dos filhos (sem vida) chamaram a atenção da comunidade internacional e de toda a Síria, que começaram a pedir que os EUA os ajudassem, retaliando o ataque assassino do ditador Bashar al-Assad.

Cerca de 87 civis (entre eles 31 crianças e 20 mulheres) foram mortos no ataque químico da última terça-feira 4 de abril.

Algumas das vítimas fatais tiveram seus corpos transferidos para hospitais turcos para a realização de autópsias.

O Ministério da Saúde da Turquia confirmou que os pacientes foram expostos ao gás sarin, um agente nervoso proibido.

Um funcionário do alto escalão do governo americano também confirmou que as vítimas apresentavam sintomas de exposição ao agente químico.

Dois dias depois, Donald Trump culpou o regime do presidente Bashar al-Assad pelo massacre químico e autorizou ataques aéreos contra uma base militar na síria.

Nikki Haley, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, advertiu na última sexta-feira que a América está “preparada para fazer mais”, caso os ataques a civis na Síria continue.


Abdel Hameed al-Youssef se encontra com o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoga (esq.)


Após o ataque, Hameed atravessou a fronteira e foi para a Turquia, onde conseguiu um encontro com o presidente Tayyip Erdogan:

“Ele me prometeu que conversaria com o presidente Trump para tomar medidas contra Assad e conter os assassinatos e a violência na Síria. O sr. Trump tem que continuar nos ajudando.”, disse.

Ele contou a rede de TV Abc News que pretende retornar ao seu país em breve, mesmo com os constantes perigos e a tragédia sofrida em sua cidade natal.


 

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