Diário do Brasil

New York Times: “Fim da força-tarefa de combate à corrupção. Presidente acusado de receber propina”


O jornal The New York Times publicou uma matéria sobre a situação de Michel Temer e o fim da Operação Lava-Jato

confira parte do texto:

A Polícia Federal do Brasil anunciou irá encerrar uma força-tarefa de combate à corrupção (Lava-Jato), o que gerou uma reação por parte dos promotores públicos que advertiram a mudança poderá estrangular as investigações que expuseram a corrupção sistêmica entre as elites políticas e empresariais do país.

Coincidência? A decisão (citada acima) vem justamente quando o presidente Michel Temer , que está entre os políticos que enfrentam acusações criminais, luta para fortalecer seu apoio entre os deputados com o objetivo de escapar das denúncias de corrupção passiva […] que é a primeira de outras que virão.

Em declaração, a PF informou que a mudança ocorrida é uma reestruturação burocrática de pessoal e que a eficiência nas investigações não seria interrompida. 

Já os membros da força-tarefa, a associação nacional de promotores nacionais e a federação de agentes da Polícia Federal discordaram completamente dessa lógica.

Os juízes da Lava Jato emitiram uma nota chamando a decisão de “recuo óbvio” da equipe que está no comando do processo.

O jornal também destacou a eficiência da Lava-Jato:

Desde a sua criação em 2014, o grupo, com sede na cidade de Curitiba, operou com um grau notável de autonomia, desmascarando um sistema profundamente enraizado de propinas entre as classes políticas e empresariais do país. 

Os trabalhos ecoaram muito além do Brasil […] evidências e testemunhas cooperantes expuseram esquemas de suborno em empresas brasileiras que tiveram grandes projetos comerciais em toda a América.

A investigação, que começou como uma operação de rotina em um posto de gasolina , atraiu a Petrobras juntamente com mais de 280 pessoas, incluindo dezenas de legisladores e alguns dos magnatas mais ricos do Brasil. 

Centenas estão sob investigação.

Cerca de US$ 3 bilhões foram recuperados e outros bilhões poderiam ser devolvidos para os cofres públicos se as Operações da PF recebessem os recursos adequados.

Em maio, o Sr. Temer nomeou Torquato Jardim, um aliado político, para dirigir o Ministério da Justiça, que supervisiona a Polícia Federal. 

O Sr. Temer, que assumiu o poder no ano passado, está sendo acusado de aceitar propinas equivalentes a US $ 152.000 através de um executivo do setor de alimentos.

Promotores disseram que poderão apresentar outras acusações contra o presidente nas próximas semanas.

O presidente, que negou todas as irregularidades, está nas mãos dos legisladores para que a denúncia possa seguir adiante. 

Eloísa Machado de Almeida, professora de direito da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, disse que o fechamento da força-tarefa foi claramente destinado a enfraquecer as investigações que podem acabar com alguns dos homens mais poderosos do país.

“Se a Lava-Jato não conseguir punir a classe política – especialmente aqueles que estão no poder agora – ela só servirá para repassar o poder de uma classe política para outra” disse.

Um porta-voz do Sr. Temer disse que o presidente não interfere nos “assuntos internos” da Polícia Federal.

A Federação Nacional de Oficiais de Polícia Federal expressou sua preocupação com a dissolução de uma força-tarefa que chamou de “a operação mais bem sucedida da Polícia Federal” em todos os tempos.


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