The Guardian: “Todos são iguais perante a lei é a maior mentira já contada no Brasil”

(The Guardian) Mesmo para um país ‘acostumado’ com a injustiça e a desigualdade, o povo brasileiro ficou chocado quando soube que, uma pobre mãe que roubou um ovo de Páscoa para seus filhos, foi condenada a uma pena de prisão mais severa do que empresários e políticos que roubam milhões de dólares dos cofres públicos.

Sem querer defender a moça que roubou, mas há crimes e crimes.

A mulher, referida apenas pelo seu primeiro nome (Maria) foi sentenciada a 3 anos e 2 meses em regime fechado por furtar um ovo de chocolate e um peito de frango de um supermercado em Matão, São Paulo, em 2015.

Antes mesmo do julgamento ocorrer, Maria foi mantida em detenção por 5 meses até que a sentença pudesse ser julgada.

Em 2016, ela foi encaminhada à prisão. Grávida de seu quarto filho, ela deu à luz na cadeia e hoje amamenta seu filho de 6 meses dentro de uma cela superlotada […] a criança será (em breve) encaminhada para a vara da infância e juventude e a mãe poderá perder a guarda da bebê.

O caso está longe de ser incomum no Brasil, mas chamou a atenção do público porque um jornalista local escreveu uma matéria onde comparou as condenações mais comuns com os crimes cometidos na Operação Lava-Jato (Car Wash), que envolve políticos, empresários e figuras públicas.

A ombudsman Maíra Cora Diniz disse que a penalidade para Maria era “absurdamente” desproporcional ao crime e que não envolvia violência, danos ou perturbações sociais.

Até o promotor público (pessoa que faz a acusação) chegou a destacar que a sentença também puniria o bebê, que acabaria prejudicado no momento que mais precisaria da mãe, o período da amamentação.

O crime de Maria contrasta com as penalidades concedidas aos condenados na investigação Lava Jato, que descobriu uma vasta rede de subornos e propinas em contratos públicos que foram canalizados através de grandes corporações, incluindo a Petrobras, a Odebrecht e os principais partidos políticos do país.

Ao menos 7 dos culpados (na Lava-Jato) que fraudaram os contribuintes em centenas de milhões de dólares receberam penas mais leves do que Maria.

Desses 7 culpados, alguns alegaram, através de seus advogados, que estariam com problemas de saúde … outros citaram circunstâncias familiares e foram condenados à prisão domiciliar, onde vivem cercados de luxo.

Outros jornais ajudaram a divulgar a história dessa senhora nas redes sociais […] um deles (chamado EXTRA) chegou a estampar em primeira página:

“Aplausos à Justiça brasileira … se você roubar milhões ou bilhões, quase nada acontecerá com você”.

Todos são iguais antes da lei é a maior mentira já contada no Brasil!


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