Governo Federal cortou verbas de pesquisa que poderia salvar milhares de bebês do surto de microcefalia

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A interrupção ocorreu em setembro, depois de pelo menos quatro meses nos atrasos dos repasses, o que colocou fim a três anos de pesquisas

(Patrícia Carvalho com informações da Imprensa Livre) Marcelo Castro, atual ministro da saúde, disse que as as pesquisas feitas com mosquitos transgênicos são uma arma promissora no combate aos surtos de dengue, zika e chikunguya, doenças transmitidas pelo mosquito.

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Castro só “esqueceu” de comentar que o Governo Federal suspendeu as tais pesquisas com mosquitos transgênicos por falta de verbas, além de atrasar os repasses de verbas para o combate à epidemia em diversas regiões do norte e nordeste.

Margareth Capurro, bióloga da USP que coordenava o estudo, lembra que a paralisação dos estudos aconteceu em setembro do ano passado, após quatro meses de atrasos nos repasses.

O projeto inicial previa um investimento total de apenas R$ 4 milhões, o que poderia ter evitado que milhares de crianças contraíssem a microcefalia. A doença já dizimou o futuro de aproximadamente 3 mil crianças nos últimos meses.

A pesquisa teve um começo promissor. A equipe de pesquisadores constatou uma redução significativa no número de mosquitos selvagens nas cidades que participaram da pesquisa. Porém, com a paralisação do programa, os pesquisadores não puderam medir o impacto da ação na transmissão dos vírus.

Margareth lamentou: “A população de mosquitos foi retomada. Teríamos de refazer tudo para, numa outra etapa, fazer uma avaliação epidemiológica e, mesmo que houvesse interesse, teríamos de começar praticamente do zero”, disse.

A Bióloga disse que ficou chocada quando soube que o ministro da Saúde citou a pesquisa como uma arma para conter epidemias de dengue, chikungunya e zika.

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