Em 2015, caminhoneiros denunciaram: “A carne fica parada 20 dias no pátio e entra em decomposição”

Há cerca de dois anos, o programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou uma matéria exibindo o modo como os animais eram (e ainda são) tratados nos matadouros do Brasil.

Foram 280 visitas em 8 estados e a conclusão era de que mais de 1/3 da carne vendida no mercado interno vinha de lugares irregulares e ‘macabros’ [.,.] sim, a palavra é essa: macabros!

Após a veiculação da reportagem, as denúncias pararam.

Um dos maiores conglomerados frigoríficos do país lançava uma campanha publicitária e jorrava milhões de reais nas emissoras de TV (inclusive contratando atores famosos de uma dessas empresas) e o caso começava a ser esquecido.

Meses adiante, depois desse ‘esquecimento televisivo’, um grupo de caminhoneiros resolveu fazer outra denúncia:

A demora no descarregamento das cargas […] ultrapassava 10 dias (alguns até 20 dias) aguardando autorização para a entrega dos produtos.

Hoje, após a Operação da Carne Fraca da PF, sabemos que não era uma demora e sim uma espera pelos fiscais do Ministério da Agricultura, que seriam agraciados com ‘presentes’ para liberar a mercadoria imprópria para consumo.

“A situação fica precária após 15 dias parado. A câmara fria não consegue mais congelar. As moscas acabam entrando no caminhão e vira bicho […] a carne perde todo o sangue e entra em estado de decomposição”, disse Luiz Pereira Lima, um dos caminhoneiros.

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